19/07/2010 - 10:31:36
Como foi 2o Encontro de Blogueiros Gays
Aconteceu neste sábado no Studio SP, no Baixo Augusta de São Paulo, o 2º Encontro dos Blogueiros Gays.
Compareceram 29 blogueiros , grupo bastante heterogêneo de representantes de blogs de interesses e assuntos distintos como teatro, psicologia, jornalismo, contos, notícias e experiências pessoais. Tony Goes, Marcos Costa, Valtinho Fragoso, Guilherme Lacombe, Alexandre Gaspar, Ailton Botelho, Eliandro Ramos e Thiago Magalhães estavam entre os presentes.
Começamos compartilhando problemas causados por alguns textos postados que geraram processos judiciais, ameaças pessoais e restrições na liberdade que passamos a ter quando nossos blogs começam a ser lidos por amigos, conhecidos e mães.
Houve um consenso de que blogs, mesmo os mais pessoais e feitos sem maiores compromissos, devem seguir princípios jornalísticos como a checagem de informações.
A aprovação do casamento na Argentina foi discutida e traçado um paralelo com a falta de mobilização da comunidade gay e da sociedade brasileira em geral diante do tema .
Evangélicos foram citados várias vezes como os principais opositores de avanços sociais.
A representatividade do movimento lgbt brasileiro foi questionada. Apenas 12 dos presentes conheciam a ABGLT e somente 6 sabiam o nome do seu presidente.
Lembrando que o 1º Encontro aconteceu no final de semana da Parada Gay de São Paulo, foram mencionadas peculiaridades de outras paradas visitadas recentemente por alguns de nós, como as de Washington, Buenos Aires, Nova York, Madri, Tel Aviv e Antuérpia.
Foram feitas sugestões para solucionar o impasse organizacional da Parada paulista. Há quase um consenso de que o atual modelo não funciona mais, mas que é preciso fortalecer a Parada de qualquer forma. Foram sugerido uso de placas, como em várias outras paradas gringas e brasileiras.
Surgiu também a proposta de evitar o uso do termo Casamento Gay e passar a ser usada a expressão ‘Direitos Iguais’. Marçal do UGay se prontificou a apresentar um logo a ser usado em eventual campanha.
Como os três candidatos presidenciais tem saído pela tangente na questão do casamento, aliás, direitos iguais, foi sugerida apresentação de lista de candidatos a deputado federal e estadual comprometidos com a causa.
O encontro acabou com a proposta de um novo encontro em agosto, no sábado 14 ou 21, na Galeria Mundo Mix da Rua Augusta, a confirmar.
Escrito por Andre Fischer às 10:31:36
13/07/2010 - 17:30:41
Inflação Gay
Já ouviu falar em IPC-3i ?
É o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade, medido pela FGV. Ele é diferente do IPC porque atende às particularidades das pessoas com mais de 60 anos. O peso dos remédios é maior, bem como da eletricidade e alimentação pois idosos ficam mais tempo em casa.
E se criássemos um IPC-G, o índice de preços ao Consumidor Gay, quais seriam os critérios? O peso do preço da vodka certamente seria maior que o da cerveja, entrariam itens como mensalidade de academia, preço da entrada de boates e saunas. E em vestuário a composição de grifes certamente seria diferente.
Nos últimos 12 meses a inflação dos idosos foi quase 0,3% superior ao do resto da população. E a inflação gay, é maior ou menor?
E que itens deveriam entrar e com que peso ?
Escrito por Andre Fischer às 17:30:41
05/07/2010 - 14:45:38
Bons de bola
Nas semifinais da Copa do Mundo estão Holanda, Espanha, Uruguai e Alemanha. Os três primeiros garantem casamento E adoção a casais homossexuais, a Alemanha ‘apenas’ parceria civil, por enquanto.
Ou seja, países que dão direitos a seus cidadãos lgbt são bons de bola.
Melhores que o Brasil, pelo menos.
Escrito por Andre Fischer às 14:45:38
02/07/2010 - 19:41:28
Gays homofóbicos
Perdemos a Copa. Esquecendo o baixo astral, fazendo a Polyanna, isso tem lá seu lado bom.
Dunga foi um cara que não ousou, montou uma equipe conservadora, pouco criativa (e cheia de evangélicos).
Prova de que a caretice não compensa. E como lembrou Tony Goes, ganharam Holanda e Uruguai onde gays podem casar.
*
A Têtu de julho-agosto, especial 15 anos, acaba de chegar aqui na redação. Linda, robusta e cheia de grandes anunciantes , mostrando o prestígio e bom gosto da maior e mais tradicional publicação gay em língua não-inglesa.
Uma das matérias mais interessantes é ‘Sou gay mas era homofóbico’ e traz depoimentos de homens que não aceitavam a própria homossexualidade e hostilizavam gays assumidos. Todos os entrevistados se resolveram e hoje em dia vivem felizes com sua orientação sexual.
Fiquei pensando em quantas vezes, mesmo gays bem resolvidos, passam por momentos em que sentem uma certa fobia da cena gay. Digo fobia no sentido original da palavra, de medo ou aversão, sem a conotação de preconceito vindo de fora.
Julio Moreno diz que a questão principal de todo gay, assumido ou não, é a baixa auto estima. Todos tivemos que passar por um processo de aceitação de algo que geralmente é não é aceito.
Talvez isso crie essa homofobia interna que, vez ou outra, todo homossexual experimenta.
Eu mesmo, confesso, já vivi situações onde me vi com alguma aversão a determinados aspectos da vida gay. Mas é importante não confundir determinadas maneiras de ser gay com ser gay.
E quantas vezes jornalistas detestam o meio de jornalistas, médicos que passam por crises com a profissão? Acho que é meio por aí...
*
Nem Globo nem Record. O primeiro beijo gay brasileiro em horário nobre foi no SBT.
Assista clicando aqui. Viva a terceira via!
Escrito por Andre Fischer às 19:41:28
29/06/2010 - 14:59:22
Marina e Dilma reforçam preconceito
Marina Silva disse que casamento é sacramento e por isso é contra homossexuais se casando. Marina é evangélica e como a grande maioria dos evangélicos tem o triste hábito de confundir direito civil com religião.
Dilma, provavelmente querendo ser simpática, afirmou que é favorável à união civil para homossexuais, mas que é contra o casamento e ainda afirma que não quer interferir nas religiões.
Dilma, que não tem religião, está repetindo um bordão dos setores tradicionalistas e não está sendo nada republicana.
Casamento é um direito civil, está na constituição do nosso Estado, que em teoria é laico. Casamento não é um sacramento religioso. É sim, dentro de cada religião. Por isso umas permitem divórcio, outras não. Mas o Estado garante o direito de divórcio por seu um direito universal, independente de uma Igreja considerá-lo pecado.
Marina perdeu meu voto mas não perdeu meu respeito, pois pelo menos está sendo coerente com sua maneira evangélica (e limitada, me permitam dizer) de ver o mundo.
Dilma, que ainda não conquistou minha simpatia, tentou agradar aos dois lados, mas só convenceu os que não pensam muito ou se contentam com pouco.
*
Alô petistas e tucanos. Não estou aqui fazendo nenhuma declaração de voto ainda. Não menciono Serra porque ele não se manifestou abertamente sobre esse tema específico.
Escrito por Andre Fischer às 14:59:22
28/06/2010 - 11:11:15
41 anos e quase nada
Hoje comemoramos 41 anos da Revolta de Stonewall, evento que marcou o início do movimento gay internacional. No Brasil, país com maior número de Paradas do Orgulho LGBT no mundo, não está prevista nenhuma manifestação. Ok, hoje tem jogo do Brasil. Mas ninguém no movimento gay (chamado nas internas de MHB) até agora soltou nem uma notinha lembrando a data.
Ano passado o mundo inteiro comemorou os 40 anos e nada por aqui. O MHB parece ter esquecido. Difícil mesmo pensar em mobilização da comunidade lgbt desse jeito.
Depois que passar a Copa, vem as eleições. Dos três candidatos a presidente a única que se manifestou de verdade sobre casamento gay foi Marina Silva ( e ainda assim meio contra). O movimento, que está dividido entre uma maioria comprometida com o PT e uma minoria ligada ao PSDB, parece não se importar com o silêncio de seus candidatos sobre o tema. Lula em discurso foi fantástico, levantou bandeira de arco-íris até, mas de prático não fez absolutamente nada.
Vale lembrar sempre que a homossexualidade era crime na maior parte dos países na época de Stonewall. No Brasil nunca foi. De lá pra cá direitos foram conquistados e o casamento entre homossexuais já é uma realidade nos países mais desenvolvidos (até em Portugale Aregentina!) e por aqui conseguimos avanços, mas basicamente de visibilidade e algumas jurisprudências. Direitos mesmo, nada.
E se for contar com a determinação desses candidatos que estão aí, teremos mais 4 anos de atraso pela frente.
*
Estou acompanhando todos os jogos da Copa. Torço pelo Brasil na frente, é claro.
Mas Alemanha e Argentina, até agora são os que jogaram como vencedores e são os que merecem ganhar, pelo menos até aqui.
Alemanha com técnica arrasadora, futebol bonito e que coloca uma questão importante: é a única seleção desta Copa onde todos os jogadores jogam no próprio país.
A Argentina tem Maradona, que propõe a ousadia e alegria a sua equipe – e que promete desfilar pelado se os argentinos forem campeões.
Bem diferente do tosco e mal educado Dunga – que dá preguiça só de olhar. O Brasil precisa mostrar ao resto do mundo porque tem merecimento para ser hexa.
Escrito por Andre Fischer às 11:11:15
23/06/2010 - 02:27:28
Deuses do estádio
Tenho mantido a média de 3 jogos da Copa por dia, mesmo durante esses dias de fechamento de Junior. Paixão pelo futebol, juro.
Os latinoamericanos são mesmo a sensação, não apenas por estarem batendo um bolão e desbancando as tediosas equipes européias e as fracotas africanas. Entre os lindos de todo mundial, meu favorito até agora é Diego Lugano, capitão do Uruguai.
O cara já jogou no São Paulo, mas nunca tinha prestado atenção nele. Será que é porque está chegando aos 30? Vejo a beleza em meninos mais novos, mas acho mesmo que só depois de 30 os homens ficam realmente interessantes.
Lugano, two thumbs up !
Agora, olhe bem Lugano na comemoração da vitória de hoje sobre o México, que garantiu a liderança no grupo A e classificação para oitavas.
É ou não é para torcer para que a Celeste chegue até as finais?
Escrito por Andre Fischer às 02:27:28
17/06/2010 - 02:55:13
Assexuais
Vi na Parada de Tel Aviv um grupo de meninas bem bonitinhas portando cartazes ' Asexuals Party Hardest' - algo como 'assexuais se divertem mais'.
Achei exótico. Mas afinal de contas se há heteros que transam com travestis, transexuais masculinos que fazem sexo com gays e toda sorte de variações da sexualidade, o não-sexo também pode ser uma opção - e nesse caso não sei se orientação sexual seria o termo politicamente correto.
Comentei aqui na redação e resolvemos fazer uma matéria sobre o tema. Em uma reunião falei sobre o tema e foi um rebuliço. Percebi que havia um tema aí. Postei no twitter uma chamadinha em busca de personagens e, pasme, centenas de pessoas disseram não fazer sexo ou conhecer quem não faz.A maioria meninas, deve ser dito, mas muitos homens também.
tenho um amigo que não troca fluidos há quase 10 anos. Não sei se é fobia ou uma opção.
Vamos entrevistá-los e conhecer um pouco mais desse grupo pouco visível.
Já pensou no assunto ou conhece alguém ?
Escrito por Andre Fischer às 02:55:13
15/06/2010 - 18:50:24
Pós- Israel
Acabo de chegar de uma semana intensa em Israel.
Tel Aviv surpreendeu: cidade pequena, moderna e extremamente gay. A Parada Gay reuniu quase 25% da população e tem uma vibe que as daqui já não tem mais: para começar são frequentadas por gays e lésbicas. Legal o texto de ter famílias e resto da sociedade. Mas o que importa é a representatividade da nossa comunidade. Isso não temos aqui e é a essência lá.
Praias ótimas (uma praia gay ao lado da ortodoxa, separada por um muro), bares sensacionais, homens lindos e muito dados.
Jerusalém tem uma energia forte, estranha. Mar Morto é uma experiência inesquecível. E Masada me tocou profundamente.
Mas depois de 15 horas de vôo vim trabalhar direto e o jet lag de 6 horas - e as cervejas durante o jogo do Brasil - já estão me derrubando.
Amanhã prometo falar mais a respeito.
Deixo clipe do Hybrid Lava, cujo show impressionante vi na festa em Gordon Beach, pós-Parada.
Escrito por Andre Fischer às 18:50:24
07/06/2010 - 18:41:44
Parada parada
A Parada acabou há mais de 24 horas e ainda não consegui ainda formar uma opinião fechada sobre o evento. Pode ser pura seja preguiça.
Multidão literalmente parada na Paulista às 15h20
Se formos por pontos talvez fique mais fácil: certamente foi uma Parada mais segura, com menos incidentes. Havia carros melhores que a tristeza dos dois anos anteriores, com destaque para os do Casarão, Salete, Disponível. Carro de sindicato não adianta que é mesmo uma chatice.
A Cads-Prefeitura fez um belíssimo camarote, chique do lado de fora, muitíssimo simpático do lado de dentro, com várias marcas do segmento presentes.
O dia estava lindo, como sempre. Quatorze anos sem nem chuvisco, em pleno inverno, só provam que São Pedro é mesmo simpatizante.
E foi emocionante ver os totens gigantes espalhados pela cidades com o lema “ Vote contra homofobia”. É bom para São Paulo, e para os paulistanos, gays ou não, saber que vivemos em uma cidade que quer ser tolerante. Isso faz bem para autoestima de todos. O governador, ao dizer que ´só é intolerante com os intolerantes’ também mostrou que . Só faltaram os presidenciáveis, como sempre em cima do muro.
Não dá para entender porque a cada ano a Parada dura menos tempo. Dessa vez começou às 13h e às 14h20 o último carro já havia deixado o Masp, antes das 15h30 já não havia mais Parada na Paulista. Teve gente chamando de dis-parada.
O povão chegando aos milhares de metrô para nada. Porque mesmo a Parada não pode durar mais?
O fim de semana em si foi bem mais tranqüilo do que se esperava. Eu fugi de toda e qualquer movimentação gay (até show do Exaltasamba fui!), mas não sirvo de parâmetro.
As casas noturnas tiveram, em geral, um movimento abaixo do esperado. The Week não abriu segunda pista, Sonique vazio no Café com Vodka, Megga com menos público que em noites normais. Talvez pelo excesso de opções, talvez porque tenha vindo menos gente mesmo. Apesar de divulgar ocupação de 70% dos hotéis na Paulista (menor que os 75% divulgados ano passado), fora de lá os hotéis ficaram bem vazios, como nos finais de semana do resto do ano. Oscar Freire e Jardins também tiveram um movimento de feriado normal.
De qualquer forma ainda é um evento emocionante. Mas depois de tantos anos vale começar a pensar em outras fórmulas antes que se desgaste, como aconteceu em outras partes do mundo.
*
Amanhã vou para Tel Aviv para ver a Parada de lá, que parece ser bem bacana.
Mando notícias...
Escrito por Andre Fischer às 18:41:44
30/05/2010 - 16:23:04
Mudança de paradigma
Olhe só o primeiro escândalo político no novo governo de coalizão chefiado pelos conservadores do Reino Unido. O novo secretário do Tesouro David Laws, um liberal democrata, admitiu ter pedido 40 mil libras (R$104 mil) para pagar o aluguel de um quarto na casa do parceiro James, com quem vive há anos, alegando que não considera que a relação deles seja uma parceria civil (que é legal na Inglaterra).
O foco dos políticos e da mídia local em momento algum (pelo menos até agora) esteve no fato dele ter uma relação homossexual enrustida, mas se ateve na tentativa dele levar algum em cima do novo cargo. Na Inglaterra se alguém tentar subtrair R$100 mil em despesas irregulares é motivo para demissão de um primeiro-escalão.
Aqui provavelmente o político descoberto desviando quantia ainda maior, geralmente não tem nem que devolver o dinheiro – que falar peder mandato. Esse mesmo político ainda vai para palanque comparar gays a ladrões e afirmar que não merecem os mesmos direitos.
Nosso atraso de desenvolvimento é diretamente proporcional ao nosso atraso como sociedade. Corrupção, ignorância e preconceito andam sempre juntos
Escrito por Andre Fischer às 16:23:04
27/05/2010 - 14:40:42
Galãs gays devem assumir?
Silvio de Abreu afirmou em entrevista a Folha que ator gay que se assume é bobo. Ele se juntou ao coro de Gilberto Braga, outro famoso autor global de novelas, que já havia afirmado em entrevista a Junior que galã que é gay não pode se assumir. E olhe que Gilberto é assumidíssimo!
O movimento gay evidentemente gritou contra e era isso mesmo que ele deveria fazer. Devemos sempre estimular que todos se assumam, já que os armários são reforços da baixa auto-estima que todo homossexual deve lutar contra. Cada pessoa famosa que se assume é um estímulo a que cada homossexual anônimo possa viver mais feliz com sua orientação sexual.
Seria assim no mundo ideal.
Mas no mundo real a coisa não funciona bem assim.
Antes de mais nada deve ser feita uma grande diferença entre atores e galãs. Há grandes atores assumidos - alguns publicamente com todas as letras, outros que todos sabem e ninguém faz alarde. Se eles se seguram apenas no talento e não nos sonhos molhados do público feminino, realmente não há maiores problemas. Veja Sir Ian McKellen, que mesmo depois de levantar a bandeira lgbt continua astro maior em Hollywood, o talentosíssimo Mateus Nachtergaele ou Miguel Falabella (que nunca nem precisou se assumir) e continua sendo um ator-diretor-produtor com prestígio imenso e inabalável.
Mas olhe Ruppert Everett. Era o sex symbol inglês maior dos anos 80 até se assumir nos anos 90 e passar a fazer apenas papéis de homossexuais. Ele diz que se arrepende sim de ter assumido. A empregada de uma amiga chorou horrores quando Ricky Martin se assumiu. Mas Ricky Martin já é muito rico e é cantor, não depende de papéis românticos no cinema ou tevê.
Ainda que pudessem respeitar a coragem e honestidade de seu ídolo, muito difícil imaginar que as menininhas que suspiram por um galã de novela continuassem a comprar revistas-poster e pagar cachês para dançar com eles nas suas festas de 15 anos.
Ele poderia não perder o contrato com a Globo de imediato, mas duvido que continuasse a estrelar campanhas publicitárias onde aparece seguido por teens histéricas. E sei de atrizes que pedem aos autores que não escrevam cenas românticas com atores gays porque acham que rola química.
Quando um cara decide ser galã está comprando um pacote.
Ele terá um público formado por mulheres que veem nele o homem ideal. Ele pode até ser sensível, mas certamente em suas fantasias ele é heterossexual.
Se você fosse agente de um galã gay e seu ganha-pão dependesse dos 20% sobre os recebimentos dele, realmente aconselharia seu astro a se assumir?
Não é à toa que geralmente são héteros bem resolvidos que posam para revistas gays ou fazem papéis de gays em filmes e novelas.
Por outro lado a vida de um galã gay que não se assume não é nada fácil.
Eu diria que é triste até.
Ele pode optar pela negação completa e aí precisa se esconder, arrumar um parceiro tão na moita quanto ele, só pegar quando está fora do país. É uma opção, abdicar da felicidade pessoal pela carreira. No final o resultado é uma pessoa que perde o carisma, (como você sabe quem, faz anos) a carreira promete mas patina.
O grande astro global que está na berlinda hoje já foi casado mas resolveu cair de cabeça na vida gay já faz um tempinho. Parece não se importar que saibam que ele sai com caras. Aí que a coisa se complica. Há quase uma demanda popular para que ele se assuma, já que todo mundo sabe da sua homossexualidade. Mas quando a gente diz que ‘todo mundo sabe’, não conta com as tiazinhas que não sabiam que o Ricky Martin era gay e que são as que ainda compram a imagem do galã, uma galera desinformada mas uma grande fatia do seu público.
Dá pra entender o autor global que não quer galã assumido na sua novela, dá pra entender o movimento gay ir contra. Dá pra entender o galã que não se assume.
No final das contas é tudo fruto do conservadorismo e atraso de mentalidades.
Temos que mudar isso.
Mas até lá esse é o mundo em que vivemos.
Escrito por Andre Fischer às 14:40:42
17/05/2010 - 23:52:31
Troca de Figurinhas
Faltam apenas duas figurinhas (306 e 353, vai que você tem aí...) para completar o Álbum da Copa.
A proposta inicial era não gastar mais de R$150, o que daria 200 pacotes ou 1000 figurinhas, para preencher as 640 figurinhas do álbum. Posto que não estou em uma escola (o que para as crianças facilita muito) e ninguém aqui no Mix entrou nessa onda, tive que me virar para fazer o troca-troca de outras formas. Através das redes sociais foi possível anunciar as figurinhas que faltavam. Pelo Facebook e Twitter, e especialmente por uma dessas feiras de troca, que quase completei o álbum.
Consegui chegar até aqui gastando menos de R$130, graças a esse sistema.
Uma experiência sociológica bastante interessante. Troquei figuras com gente dos 5 aos 50, diretores de criação, jornaleiros, amigos e gente que nunca vi na vida.
*
O fascínio pela expressão através das redes sociais já está dando sinais de que deve ser encarado com cuidado.
Antigamente (5 anos já virou retrô!) essa possibilidade não havia. Na semana passada aconteceram alguma demissões causadas por posts e tweets de funcionários que causaram mau estar às suas empresas.
Nessa nova era que se inicia o limite entre público e privado, pessoal e profissional, tende a desaparecer. Vamos aproveitar enquanto ainda podemos preservar lados de nossas vidas. Em breve a privacidade será uma percepção inexistente.
*
Essa semana completei sete anos de relacionamento, que começou durante um eclipse lunar. Estar em casal por vezes limita a expressão – quando comecei o blog, há quase nove anos estava em meio a um turbilhão emocional, escrevia e me expunha muito mais. Mas acho preferível manter detalhes minha vida com meu parceiro só para nós a ter mais pageviews.
Escrito por Andre Fischer às 23:52:31
11/05/2010 - 18:34:54
Minha seleção para a Copa
Dunga tem a sua seleção, eu tenho a minha. Os critérios dele devem ter sido os que jogam melhor, os meus foram os mais gatos. 22 jogadores campeões de 18 países. Preste atenção neles na Copa, guarde as figurinhas deles repetidas no seu álbum.
Kaka (Brasil)
Cristiano Ronaldo (Portugal)
Gerard Piqué (Espanha)
Miso Brecko (Eslovênia)
Maurice Edu (EUA)
Roque Santa Cruz (Paraguai)
Stanislav Sestak (Eslováquia)
Miguel Veloso (Portugal)
Meghni Mou (Argélia)
Mchael Ballack (Alemanha)
Diego Lugano (Uruguai)
Yoann Gourcuff (França)
Georgios Seitardis (Grécia)
Fernando Gago (Argentina)
Carlos Vela (México)
Marcos Tulio Tanaka (Japão, nascido em SP)
Claudio Marchisio (Italia)
Carl Valeri (Australia)
Benny Feilhaber (EUA, nascido no Rio)
Ashley Cole (Inglaterra)
Raul Albiol (Espanha)
Achille Emana (Camarões)
Escrito por Andre Fischer às 18:34:54
08/05/2010 - 13:20:18
Jovens gays na capa de Veja
A capa da Veja dessa semana é " Ser Jovem e Gay - A Vida Sem Dramas".
Sem dúvida simpática à causa, o que já é um grande avanço, mas um tanto descolada da realidade.
A Silvia Rogar, que assina a matéria, ligou semanas atrás para trocar idéias sobre essa pauta. Eu, como sempre, disse que tinha um certo receio do que a Veja poderia fazer com esse tema e, apesar de falar bastante, me mostrei reticente com as intenções da revista.
O resultado foi bastante positivo, ganhamos espaço nas bancas e nas casas com a maior publicação do país. Mas assim como as repetidas matérias sobre o 'mercado cor-de-rosa' que Veja já publicou, não corresponde exatamente ao que acontece no mundo real.
Certamente há muito mais jovens que podem se assumir livremente com apoio dos pais e isso é uma mudança grande com relação à época em que eles nasceram, onde isso não era uma opção.
Mas esqueceram de contextualizar que são uma minoria, mesmo nos grandes centros. A maioria esmagadora de jovens gays e lésbicas continua a sofrer preconceito e tem que viver se escondendo.
Essa ressalva deveria ter sido explicitada para que não ficasse a impressão de que o mundo é a região central de São Paulo.
Lembrar de Rock Hudson e arte antiga grega a essas alturas do campeonato também parece um pouco fora de contexto. E acreditar em uma pesquisa que diz que 95% dos jovens com 18 anos já se assumiram é de uma inocência que arrisca a seriedade do resto do texto.
Ainda assim, parabéns aos jornalistas que conseguiram emplacar na capa de uma revista geralmente caretérrima uma visão positiva da comunidade lgbt.
Escrito por Andre Fischer às 13:20:18
05/05/2010 - 11:15:31
Vergonha pelos católicos
Definitivamente a Igreja católica perdeu a rumo de casa.
Na abertura da 48ª Assembleia Geral da CNBB, o arcebispo de Porto Alegre, dom Dadeus Grings, disse que "a sociedade é pedófila" e que o abuso sexual de crianças e adolescentes seria mais frequente entre médicos, professores e empresários do que entre sacerdotes.
Certamente ele está falando a partir do ponto de vista dele, que deve conhecer muitos, muitos padres e bispos pedófilos e está levando isso para o resto do mundo.
O festival de absurdos e insultos não parou por aí. Dom Dadeus ainda teve a pachorra de disparar " antigamente não se falava em homossexual, quando começam a dizer que eles têm direitos, direitos de se manifestar publicamente, daqui a pouco vão achar os direitos dos pedófilos".
O tema do encontro da CNBB desta ano é 'a missão da Igreja no mundo'.
Ao que tudo indica seria melhor fechar o boteco, fazer uma avaliação geral e ver se vale a pena continuar desse jeito.
Fui batizado católico, mas hoje acho que a maioria dos católicos tem vergonha dessa Igreja que está aí.
Ela apenas embaraça e afasta as pessoas de fé e boa vontade.
Escrito por Andre Fischer às 11:15:31
26/04/2010 - 15:10:25
Pela expulsão dos homofóbicos da USP
Holanda ou Uganda?
Mais uma vez o Brasil se coloca na encruzilhada. Quer ser Uganda, onde um projeto em votação no Congresso vai tornar a homossexualidade um crime punível com prisão perpétua e pena de morte, ou a Holanda, que garante direitos plenos a todos seus cidadãos, independente da orientação sexual?
O que estamos esperando para fazer essa escolha?
Que país queremos ser?
A visibilidade adquirida nos últimos anos ainda não se traduziu em direitos garantidos e a reação dos conservadores está tomando ares de caça às bruxas.
Enquanto isso na maior universidade do país um grupo incita os alunos a jogarem merda nos colegas gays, em evidente abuso de violência homofóbica. O que vai acontecer com eles?
O mínimo que temos que exigir é a expulsão sumária desses elementos perigosos, que ainda por cima estudam às custas dos nossos impostos.
Escrito por Andre Fischer às 15:10:25
19/04/2010 - 02:23:47
Ser ou fazer ?
Um amigo conta que pegou um galã global, casado e tido como hétero. Coisa rápida no banheiro de uma festa.
Quando demonstro surpresa com a história - meu gaydar às vezes falha mesmo redondamente- ele disse: ” você não sabia que ele é?”.
Mas ele é o que? Gay? Se o cara é casado, não seria bissexual? Mas será que ele se considera assim? E se o cara acha que é hétero e só faz? Meu amigo acha que não, que ele é gay, sim.
Se uma mulher transexual, que nasceu homem, deve ser chamada no feminino porque assim que se sente, porque um homem que não se sente gay, deve ser chamado assim?
Escrito por Andre Fischer às 02:23:47
14/04/2010 - 21:42:37
Nós escolhemos ir à Lua
Nós escolhemos ir à lua nessa década e fazer outras coisas não porque seja fácil, mas porque é difícil, porque esse objetivo servirá para organizar e medir o melhor das nossas energias e habilidades, porque esse desafio é o que estamos dispostos a aceitar, que não estamos querendo adiar e que pretendemos alcançar.
(Trecho do discurso de JFK na Rice University,Houston, em setembro de 1962, começo da corrida espacial)
Got the mantra?
Escrito por Andre Fischer às 21:42:37
11/04/2010 - 00:34:37
Don´t Stop Believin´
Após um dos mais glamurosos verões da história do Rio de Janeiro, a enchente da semana passada expôs o lado pobre e caótico da cidade maravilhosa e abalou a autoestima dos cariocas.
Um clima estranho caiu sobre todo o país, de que talvez não estejamos tão bem como imaginávamos e o caminho para o primeiro mundo será mais longo do que andávamos pensamos.
Videomakers da Tijuca fizeram um vídeo muito contundente, que começou com certo humor e rapidamente ficou muito dramático. No meio um desabafo que impressiona e deu voz ao que muitos pensaram naquela hora.
Dê uma olhada.
Sim, a culpa é dos maus políticos que nos governam, mas sobretudo da falta de educação do nosso povo.
A solução dos nossos problemas está bem na nossa frente: implica em um comprometimento maior de todos nós para que as mudanças aconteçam.
Um país novo - e aqui não me refiro apenas à inclusão social de parcela da ppopulação mais pobre à classe média - só vai surgir de uma mudança maior, que inclui o respeito a todos e educação de verdade.
A mesma máfia dourada (infelizmente majoritária no Brasil) que acha que viados e mulheres são cidadãos de segunda categoria é a que joga lixo na rua.
*
Para melhorar esse astral assisti hoje boa parte da maratona de Glee. Pude ver o primeiro episódio, e ficou claro do que ele se trata.
Um grupo de talentosos estranhos (gay, filha de gays, cadeirante, gorda, oriental e por aí vai) se reúne com um objetivo: passar por cima dos preconceitos e formar um coral. O primeiro número que preparam é o quase-hino Don´t Stop Believin´, usado há décadas em contextos esportivos e ufanistas, e que ganha novo significado.
É preciso acreditar, passar por cima das limitações, não se deixar abater pelas dificuldades.
Ao final da temporada, os agora campeões regionais, ganharam moral usando da melhor maneira seus handicaps.
Depois dessa semana ruim para todos nós por conta da tragédia do Rio, é preciso levantar a cabeça, arregaçar as mangas, juntar forças e lutar por um mundo melhor.
Escrito por Andre Fischer às 00:34:37


