Mel

Blog da Mel

17/01/2012 - 12:15:02


2012

Em início de ano, todo mundo faz aquelas listinhas com um bocado de objetivos, que em

geral não duram até o carnaval.

A vida passa, os problemas surgem e o foco muda totalmente. Porém, existem coisas que

a gente vai percebendo que precisa de um esforço maior para ser radicalmente mudada.

 

São procedimentos tendenciosos, que insistimos em deixar quietos, engavetados, por que

é o mais confortável. Mudar é doloroso na maioria das vezes!

 

Você pensa que isso é um problema seu, mas está enganado: os problemas quase sempre

são iguais para todos nós.

Você quer ver?

Insegurança, medo, sentimento de culpa, timidez, são alguns exemplos deles.

 

Difícil aceitar a nossa imperfeição.

 

Com toda certeza, quando nós nascemos, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade

e apontou o dedo dizendo que seríamos dali por diante, o modelo para os outros.

Seus pais não tiveram essa expectativa, acredite: tudo o que desejaram é que você

mamasse direitinho e não chorasse de madrugada.

 

Você é que criou padrões para o que é correto, e quer atender a todos com um sorriso

lindo, criando a falsa impressão para si mesmo de ser indispensável, insubstituível. (Eu me

incluo nisso 100%)

 

Você precisa enxergar que vida interessante não é ter agenda lotada, não é ser sempre

politicamente correto , certinho e principalmente, agradar gregos e troianos.

 

A palavra chave acredito ser : “Não”

Precisamos aprender a dizer NÃO em primeiro lugar, e em segundo, a não sentir culpa por

dizer NÃO.

 

Existe Coca Cola Zero, Fome Zero, Recruta Zero. Vamos incluir na nossa lista a Culpa

Zero.

 

Olha, de verdade, eu não quero fazer desse texto aquelas lições de moral chatas que vem

nos almanaques de “como viver bem”.  Eu estou certa que isso vocês já conhecem bem.

 

Acho que falo para mim mesma, como se estivesse na frente de um espelho dizendo que

tenho que mudar, tenho que ter tempo para mim mesma, tempo pra fazer tudo que eu

queira, tempo pra fazer nada...

 

Tempo para sumir dois dias com meu amor

 

Três dias !

 

Tempo para receber aquela  amiga em casa e contar as novidades (existem novidades!)

 

Tempo para procurar um tapete novo para meu quarto

 

Tempo para ver um filme comendo pipoca no sofá

 

Tempo para passear no shopping só vendo as vitrines

 

Tempo para conhecer outras pessoas, fazer novos amigos

 

Tempo para fazer aquele curso de pintura, fazer terapia

 

Tempo para uma massagem

 

Tempo para escrever um livro que você nem sabe se será editado, isso não importa.

 

Tempo para conversar com as plantas

 

Tempo principalmente para descobrir que  pode-se  ser perfeitamente organizada e

 

profissional sem deixar de existir.

 

 As pessoas acham que se não forem super-mega- executivos -ISO9000, não serão bem

avaliados.

 

Isso tem um custo bastante alto, de repente , você só mudou de senzala, continua sendo

escravo. Escravo do seu próprio conceito .

 

Sim, os altos cargos demandam muita dedicação , muito “tempo” que seria só seu, mas

também lhe trazem os benefícios milagrosos de um alto salário. Dinheiro é ótimo, mas se

você precisa vender a alma pro diabo para tê-lo, é bom rever os valores.

 

 

Eu sou imperfeita, sou mãe, sou filha, sou executiva, dona de casa, pago minhas contas,

vou ao supermercado, respondo toneladas de e-mails, atendo clientes, tenho dor no pé,

sofro de TPM, vou ao dentista, ao ginecologista, faço as unhas e depilação, cozinho bem,

cultuo minha fé e religião , compro flores para casa, ainda tenho toalhinhas de crochê .

 

Sinto que preciso desacelerar um pouco e me presentear com alguns prazeres, ou mesmo

com algumas coisas que nem são tão prazerosas, mas necessárias.

 

Este não é um objetivo para  2012. É condição sine qua non para continuar respirando.

 

 

E as suas , já pensou nelas?

 

 

Escrito por Mel às 12:15:02

25/11/2011 - 12:06:23


Dicas valiosas

Eu não sou muito ligada em dicas de saúde, estudos científicos que prometem milagres e e-mails que lotam nossa caixa de mensagens com sugestões ótimas para prolongar a sua vida até os cem anos. Ainda mais com a velocidade das pesquisas, em um dia você descobre que o café te faz bem para o coração, já no outro descobre que ele diminui a sua vida.  Se fosse seguir a risca todos os infalíveis conselhos estaria ingerindo apenas água, maçã e alho.

Falando em dicas, é assustador como as revistas são especializadas nesse tipo de matéria, e vendem bem, logo deve existir quem leia e ache importante saber dos “dez mandamentos para atrair seu homem” ou ainda, ”como se vestir bem com pouco dinheiro”.

As dicas para engrenar num relacionamento é que me deixam um tanto perturbada- você pode transar com seu pretendente na segunda vez que sai com ele, mas só pode dizer “eu te amo” quando ingressar no sexto mês de relacionamento. Essas dicas são uma padronização de mulherzice que incomoda, mas deve ter muita gente que acredita.

Isso está fartamente ofertado nas salas de espera de consultas médicas, quando você está sentado lá com outras 12 pessoas um olhando para a cara do outro e tentando adivinhar o que se passa na cabeça do infeliz. Sim, pois a secretária marca sempre TODAS as consultas com intervalos de dez minutos e fatalmente o médico se atrasou.  Daí você pega uma revista amassada, faltando algumas páginas, e começa ler inúmeros conselhos de comportamento sexual e sentimental.

O que incomoda é que se você sai daquele padrão e dá de topo com uma mulherzinha que acha legal tudo aquilo, ela te classificará de baixa ralé. Então, você não deve falar alto, não fume, não beba, seja um poço de candura, mesmo que sua vontade seja mandar meio mundo a puta que pariu. Pinte seus cabelos da cor que combina com sua pele, e para isso siga as tabelas que vem na caixinha da Imedia.

A moda agora é misturar tecidos, então você tem o aval para sair fantasiada de cortina porque todos estão usando. Você está gorda? Evite roupas justas, use e abuse das batas, mesmo que você se sinta ridícula e pareça imensamente mais gorda do que já é.

Você está de TPM? Não coma chocolates, frituras, café, coca-cola, carnes vermelhas e tudo de bom que existe no mundo na questão de comida e bebida. Paste com fartura no seu prato de alface e chore bastante sabendo que ficará menos inchada.

Saiba como fazer seu homem ficar louco na cama em dez passos- e depois cuide para que ele não te troque por outra em um passo apenas.

Emagreça 11 kg em uma semana- e corra pra um cirurgião plástico na semana seguinte para retirar outros 11 de pelancas.

É tanta dica, tanta ordem, e isso que eu nem perdi meu tempo listando aqui as 200 idéias para você ser feliz, incluindo fazer um bolo uma vez por semana e convidar as amigas para comer assistindo a novela das sete.

Não podemos deixar de lembrar também das dietas da sopa, da lua, da maçã, e do cocô seco de cachorro. Tem também como tirar mancha de sangue do sofá, se caso você não trocou o absorvente em tempo, e como tirar o bolor daquela blusa que você tem guardada no armário há 4 anos.

De todas, a que eu mais sigo e que é a minha dica de hoje é a do “Cavalo em Desfile: “Andando e cagando” para o que falam, mesmo que não receba aplauso nenhum por isso.

Mas isso não está escrito nas revistas de mulherzinhas, só se aprende lidando com a vida real.

Escrito por Mel às 12:06:23

11/10/2011 - 15:48:17


Pillow Talk

Achei sensacional essa nova tecnologia!

Na verdade nem é muito recente, mas eu ainda não conhecia e como achei interessante, quis compartilhar com vocês a notícia.

Trata-se de um novo tipo de travesseiros que pode aproximar um pouco mais os casais que não podem dormir juntinhos todo dia.

Chama-se Pillow Talk e foi criado pela estudante de design   Joanna Montgomery.

Cada um dos parceiros usa um pequeno sensor junto ao peito, e ele transmite os sons de respiração e batimento cardíaco ao outro. Ou seja, você pode ouvir bem de pertinho a respiração do seu amado (a) mesmo estando a distancia.

 Além disso, o travesseiro possui um sistema que acende uma suave luminosidade quando seu parceiro vai dormir. Não é fofo?

Porém, para os ciumentos de plantão ele serve para muitas outras coisas:

-travesseiro não acendeu? Celular tocou.  “Aonde é que você está que não foi dormir ainda”?

- se você pensa em dizer ao seu amor que vai para casa e na verdade vai para a balada, só se levar o travesseiro junto.

- não adianta colocar um peso no travesseiro, um livro ou coisa que o valha, porque tem o lance da respiração e o “Tum Tum” do seu coração!

Portanto, pense bem antes de tomar qualquer iniciativa de compra, o presente pode ser uma faca de dois gumes.

Já para os que estão sempre longe, viajando , e querem matar um pouquinho a saudade, é uma ótima opção.

 

 

 

 

 

Escrito por Mel às 15:48:17

09/09/2011 - 14:36:50


De volta

Depois de um ligeiro sumiço, estou de volta trazendo notícias.

 

Passei por um período dificílimo, uma fase brava com doenças na família, mãe internada , problemas financeiros, enfim, parece que um bando de urubus passaram lá em casa e resolveram  deixar suas "cacas" sobre a minha cabeça.

Porém, como diz o velho ditado, depois da tempestade vem sempre o arco íris, cá estou , alegre e com força para Viver.

Meu filhote, continua firme nos estudos, e firme no namoro que já vai para uns  quatro meses!

Como o tempo passa!

E o meu genro? Ou será meu Nôro?  Como se chama o namorado do filho gay? Acho que ninguém definiu isso ainda!

Bem , sendo genro ou nôro, ele é uma gracinha de menino, me chama de sogrinha e eu fico toda orgulhosa disso.

Outro dia ele dormiu em casa, fiz questão de fazer uma geléia caseira que ele gosta só para servir no café da manhã, e um almoço bem gostoso.

Que fique entre nós: ele é um bom garfo viu?  Adoro . Pelo menos eu sei que gostou da minha comida!

Para mim está sendo um aprendizado muito gostoso esse namoro. Sem nenhuma demagogia, é como se eu estivesse ganhando um novo filho. Aliás, um filhão, pois ele é alto pra caramba!

 

Fiquei morrendo de saudades desse espaço, dos amigos leitores e , agora que tudo parece estar de novo voltando ao normal , vou me dedicar mais a vocês que sempre me dão muita força  e merecem bem mais da minha atenção.

 

Um beijo enorme  e estalado.

 

 

 

Escrito por Mel às 14:36:50

24/06/2011 - 11:11:26


Mamonas Assassinas

Outro dia na academia, eu estava observando como os homens andam vaidosos. Cuidam tanto do corpo, da pele, dos cabelos, até meu filhote anda passando um monte de hidratantes e cremes no corpo para se cuidar neste inverno.

Os meninos malham pra valer até ficar com o corpo todo bem definido, aliás, bota definido nisso. Fico admirando algumas pernas e bumbuns masculinos, são de dar inveja em qualquer mulher!

De perfil, existem alguns que parecem ter mamas de tão grandes os peitorais.

Por falar em mamas, nessa semana fui fazer alguns exames de rotina, entre eles a mamografia.

Mamografia deveria se chamar “Mamonas Assassinas” de tanto que essa desgraça dói para fazer. É injusto somente as mulheres terem que passar por isso!

 

Você chega lá, já começa por ter que tirar toda a roupa com esse frio danado.  Daí vem aquela mocinha simpática diz para você relaxar, mete as mãos nos seus peitos como se fosse pastel de feira e põe numa máquina aonde você vai ser prensada.

Sim, te prensam tão forte entre duas placas que você sai de lá pelo menos um numero menor de sutiã e a desgraçada ainda fala para você não respirar! Até parece que com aquela dor alguém respira.

Pelo menos é rápido. Você fica sentindo a dor de um goleiro que levou uma bolada no saco – sem respirar- por uns 15 segundos e depois ela te desprensa.  Quando acaba, aí sim, você respira fundo, verifica se não se borrou e volta enfim, a sorrir.

Acabou?? Nãããoooo.   A mocinha simpática volta e te diz com cara de inspetora de colegial: “Vai ter que fazer de novo, as imagens não saíram muito boas”!  Mas que raio, eu nem quero sair na Playboy!  Começa tudo de novo, prensa e aperta até você virar os olhos.

Depois que a atendente-do -demo repete toda a sua tortura, você vai pra casa encanadérrima pensando se deu algo de errado no resultado para que ela tivesse que repetir o exame, será que descobriram que eu tenho câncer de mama? Ai meu deus, depois você descobre que quase todas as vítimas que estavam lá, na sala de espera (que mais parece o corredor da morte) repetiram o exame.

De peitos doloridos, você aguarda sua sentença, ou melhor, seu resultado, e no meu caso graças a Deus estava tudo bem.

Já pensou se o exame de Próstata fosse assim, na base da prensada?

Uiii.

Bem, ao menos as mulheres fazem alguns exames menos doloridos como o da “estrada- do –ponto- G, vulgo Transvaginal (hehehe).

Com dor ou sem dor, é legal para todos fazer seu check-up anual para depois não ter surpresas desagradáveis.

Escrito por Mel às 11:11:26

03/06/2011 - 14:53:43


Segredo

Quem é que não gosta de sentir aquele friozinho na barriga quando se está apaixonado?

Aqueles olhares, misto de timidez e paixão, suspiros demorados, nem é preciso falar, pois os olhos dizem tudo!

Essas fases são literalmente maravilhosas, e ainda mais se estiverem sendo recíprocas como estão.

Duzentos e trinta telefonemas e mensagens por dia, haja coração!

Meu filhote está radiante, parece estar nas nuvens.

Acho que ele vai me matar quando ler isso, todo reservado como é, mas eu queria muito dividir essa alegria com vocês.

Pronto, falei!  E digo mais: vou paparicar de monte o namoradinho dele, pois eu o ADORO!

/ôô\

Escrito por Mel às 14:53:43

10/05/2011 - 14:49:35


Namoros proibidos

Estava lendo o ultimo texto do meu amigo Tiago (blogueiro aqui do Mix), cujo tema é sobre ter um namorado casado. Percebi que nos comentários alguns dos leitores foram explicitamente contra esse tipo de relacionamento, dizendo que talvez ele fosse sofrer, ou que tal romance não dá futuro.

Achei o assunto deveras interessante e por isso resolvi explorar mais, quero dar os meus pitacos, se o Tiago me permitir (sei que meu amigo lindo me permite, porque ele é um fofo).

 

Sobre namorar um cara casado eu posso falar com propriedade porque já namorei um na minha época de juventude. Foi uma relação estupenda, maravilhosa e loucamente apaixonante!

Eu tinha meus vinte e dois, vinte e três anos e ele era dez anos mais velho que eu. Nos conhecemos num congresso e quando nossos olhares se cruzaram, a paixão e o interesse foram fulminantes. Se existe amor a primeira vista, ou flechada de cupido, ou qualquer nome que queiram dar, aquele foi o dia em que eu me senti a mais abobalhada das mulheres.

Eu tinha um namorado e ele tinha uma esposa e dois filhos.

Eu terminei o meu namoro, que não tinha mais graça, e ele começou a ter “reuniões” de trabalho duas a três vezes por semana.  Tudo era bom e fantástico todas as vezes que nos encontrávamos.  Havia sim um pouco de cobrança da minha parte, eu queria vê-lo com mais freqüência e nem sempre isso era possível.

No início eu me sentia culpada, o preconceito e as raízes conservadoras, me rotulavam de “amante” e isso era super pesado nos anos 80. Porém o sentimento que nos unia era mais forte, nossos olhos brilhavam, o desejo era incontrolável... oras, a sociedade que se danasse!

Sim, é claro que eu sabia que era um relacionamento arriscado e sem futuro, isso se eu estivesse preocupada com um futuro certinho incluindo casamento e filhos. Mas eu nunca fiz planos assim, eu queria apenas um amor verdadeiro. Casar ou não, não fazia a menor diferença.

Sofrer eu sofri um pouco, mas por minha culpa, por minha possessividade mal controlada.

Enfim, a relação durou três anos inesquecíveis, sem que nenhum segundo sequer eu tenha me arrependido de nada, ao contrário, foi um marco na minha vida, me fez crescer e quando relembro aqueles dias, o gosto ainda é bom.

Confesso que eu tenho certa queda por situações proibidas, e imaginem isso na casa dos vinte anos. Foram anos maravilhosos, paixão explodindo, loucuras mil que dariam um belo livro – proibido.

 

Agora, depois de mais de vinte anos nos reencontramos virtualmente. Ele já com netos, grisalho e lindo como sempre. Foi muito gostoso saber que fui um grande amor para ele, que a recíproca foi verdadeira, e que hoje restou um carinho imenso por tudo que vivemos.  Hoje eu acredito que é perfeitamente possível amar duas pessoas ao mesmo tempo, e posso afirmar que isso é bom demais.

Podem falar o que quiserem, mas a poligamia é o mais correto dos sistemas de relacionamentos, ou pelo menos o mais sincero.  De verdade, é o que acontece na nossa cultura ainda que clandestina e hipocritamente.

Será que o namorado do Tiago não vive feliz com sua esposa, filhos, e pra completar, um homem como amante? Porque não?

Todos vocês sabem que existe um numero gigante de homens casados, com filhos e que curtem por esse ou aquele motivo um relacionamento “extra” com outro homem.

O importante é ser maduro o suficiente pra encarar essa relação.

Não creio que isso seja legal para um jovem que espera de um romance muito mais do que ser um terceiro na relação. Acho que é fundamental para todos os jovens, o namoro nos modos convencionais, com projetos de filhos, casamento, direito a fantasias douradas.

Para aqueles já mais vividos, ou ao menos lúcidos quanto ao que esperam de uma relação, acho que vale tudo para ser feliz, sem preconceitos ou rótulos, afinal a gente aprende que só o presente existe de verdade e viver é preciso, antes que a vida passe pela janela e você só possa enxergar o rastro dela.

 

 

 

 

 

Escrito por Mel às 14:49:35

06/05/2011 - 16:21:55


União gay

Eu nem sei dizer o quanto estou feliz com o resultado desta decisão do STF.

 

Até que enfim pudemos ver uma notícia decente nas telas, onde ministros decidem por algo tão importante para os homossexuais!

Isso é um fato histórico! E ainda votado por unanimidade!!

Meus amigos, agora podemos sim, esperar com muito mais confiança que logo logo teremos aprovada a lei contra a homofobia , que aliás, já passou da hora de ser aprovada.

Com toda certeza, essa decisão do STF terá uma grande repercussão nos projetos de Lei que tramitam no Congresso sobre o assunto.

Não há duvidas que demos  um passo importantíssimo, e que a sociedade deve aceitar com respeito os direitos de todos, independente de qualquer diferença existente entre cada um.

Acho que todos já leram o bastante sobre a matéria, e não preciso repetir o que está escancarado em todas as manchetes .

Apenas estou aqui hoje , para registrar a minha felicidade, o meu apoio, e o meu aplauso por essa conquista de vocês!

Que esta seja apenas uma, na  sequencia de outras tantas vitórias que os homossexuais conquistarão!

 

Escrito por Mel às 16:21:55

29/04/2011 - 16:47:00


Vazio

Eu não sei o que dizer, aliás eu não tenho vontade de dizer nada, estou angustiada.

Só isso!

Sabe quando você tem a sensação de que o mundo está cinza escuro e que algo de ruim vai acontecer, pois na verdade você até já sente um gosto amargo na boca?

Pois é, eu que sempre sou de bom astral, estou sem chão, perdida e insegura.

Quem puder, que me segure pela mão!

Escrito por Mel às 16:47:00

14/04/2011 - 14:19:58


Para Refletir

JAPÃO

Por Monja Coen

 

Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão,

me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

 

Kokoro  ou Shin significa coração-mente-essência.

 

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

 

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar.  Educação para ser capaz  de suportar dificuldades e superá-las.

 

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo  de duas maneiras.

 

A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima.

 

A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas.

 

Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

 

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém.  Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área.  As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

 

Não furaram as  filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos-

mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica,  alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

 

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

 

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques.  Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam.  Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

 

Sumimasen é outra palavra chave.  Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver.  Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta.  Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo.  Sumimasem.

 

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.

 

O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei.  Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

 

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico.  As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de  resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

 

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que “somos um só povo e um só país”.

 

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas.  Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

 

Aprendemos com essa tragédia  o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória,  nada é seguro neste mundo,  tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente.

 

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo  está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra.  O planeta tem seu próprio movimento e vida.  Estamos na superfície, na casquinha mais fina.  Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos.  O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos.  E isso já é uma tarefa e tanto.

 

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

 

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

 

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

 

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas.  Todas eram e são pessoas de meu conhecimento.  Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência.  Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

 

Mãos em prece (gassho)

 

Monja Coen

Escrito por Mel às 14:19:58

29/03/2011 - 14:07:57


Batendo na mesma porta

Neste final de semana comprei um armário para levar para nossa casa da praia, estava precisando organizar algumas coisas e reparei como hoje em dia eles estão bem mais frágeis, nem são de madeira verdadeiramente, qualquer empurrãozinho já abrem as portas, e o mais difícil é mantê-las fechadas! 

 

Se a expressão “ficar dentro do armário” que usamos para os gays não assumidos fosse criada hoje, estaríamos cometendo um grave equívoco, já que na verdade eles ficam mais escancarados do que outra coisa.

 

O tema é exaustivamente batido, mas sempre me pedem para voltar ao assunto e na verdade ,este é o meu real propósito de estar aqui neste site, mostrar exatamente a visão de quem está do lado de fora.

Então, os que já estão fora do armário que me perdoem por bater na mesma porta e os que estão dentro, aproveitem- nunca ficou tão fácil abri-la.

 

Uma barreira importantíssima a ser vencida, é falar sobre sua homossexualidade dentro da família, mas acredito que o mais difícil e sutil seja aceitar-se inteiramente.

 

Nós estamos sempre criticando a homofobia, e não percebemos que entre os gays ela está sempre presente.

 

A questão , sair ou não do anonimato, ou do armário como preferir, é uma opção de cada um, no momento de suas vidas que achar mais oportuno, que estiver preparado para isso. Tenho visto muita gente que optou definitivamente por não se expor no trabalho, entre amigos, e alegam que preferem ter seus amores escondidos a enfrentar a barra do preconceito.

O mais importante é você respeitar  seu ritmo e saber identificar o que quer para a sua vida! Não existe tempo marcado para isso, e só você pode determinar quando será a hora certa.

 

Como mãe de homossexual  posso dizer que não é nada fácil também estar do lado de cá dessa história, pois na maioria das vezes somos pegos de surpresa e não sabemos como lidar com esta situação. Para nós também é difícil trabalhar com algo totalmente novo!

 

Imaginem para quem está tomando contato com o assunto pela primeira vez, e ainda mais envolvendo quem nos é mais importante: um filho (a).

Paciência, calma, e buscar conhecimento é a atitude mais correta.

Não adianta fazer drama, desmaiar, ou se largar em prantos.

 

Diversas reações por parte dos pais podem acontecer, mas com certeza tudo isso muda no próximo ato.

 

Existem os que negam para si mesmos; oh não... isso não é verdade, meu filho (a) esta enganado, sim ele foi influenciado por más amizades...só pode ser.

 

Existem os que se fecham, apagam da memória aquele dia fatídico, e continuam a vida normalmente, riscam do calendário aquela data... decretam feriado emocional!

 

Existem os que reagem de maneira agressiva, sentindo-se feridos, acham que não merecem aquele “castigo” e devolvem a sua dor na mesma proporção, expulsando seus filhos de casa. (como se pudessem expulsá-los de suas vidas).

 

Existem os egoístas, que dizem: -faça o que quiser da sua vida, não me envolvendo nela, para que eu não passe vergonha...

Sim existem os que recebem com amor, abraçam emocionados, embora assustados e boquiabertos.

Existem também os exagerados, se dizem modernos e acham um auê, afinal está na moda ser gay ..."Meu filho logo logo, consegue um papel na novela das oito".

 

Há felizmente também os que aceitam, que acolhem seus filhos com amor e compreensão , sabendo que tudo isso é muito normal e ridículo seria nos dias de hoje ter preconceito.

 

Bem, cada um sabe a mãe e o pai que tem guardado em casa!

Este casalzinho de Pit Bull (não querendo ofender a classe canina) que vocês têm em casa, late , late, faz cara feia, assusta... mas por pior que sejam ...ELES TE AMAM.

 

Como mãe eu peço aos pais que se informem, através de leituras, filmes, sites, pergunte ao seu próprio filho (a) sobre tudo que deseja saber.

Conheça esse novo universo e principalmente faça uma reflexão: O que realmente incomoda nessa descoberta? Que sentimentos vêm à tona?

Recordem todos os momentos desde que aquela criança nasceu, seus anos de escola, adolescência, enfim descubram realmente quem é seu filho. Enumere suas qualidades e seus defeitos.

Se percebeu que não o conhece direito, não culpe a intransigência do adolescente, você- pai /mãe -é que não criou vínculos com ele desde a infância. Sejam sinceros, se antes vocês amavam aquela criatura, o que mudou agora que sabe que ele gosta de alguém do mesmo sexo?

 

Onde está o seu amor? Que amor é esse?

O que está incomodando mais? Os vizinhos vão saber? São os parentes? São os seus sonhos que foram por água abaixo?

Analise friamente quem é você perante essa situação, e não apenas quem é o outro, e saiba que você gostando ou não, o outro tem desejos próprios, que você pode ajudar, aconselhar, mas não pode modificar o rumo daquela vida.

 

Cuide para que aquele filho ou filha queira estar sempre perto de você e de pessoas que o respeitem, o estimem e o ajudem evoluir.

 

Já basta o resto do mundo para privá-lo de carinho!

 

 

 

 

 



Escrito por Mel às 14:07:57

14/03/2011 - 11:11:35


Jéssica

Nesses dias uma amiga querida me ligou perguntando se eu me interessaria em comprar alguns objetos antigos. Ela sabe que eu adoro móveis antigos, objetos de arte ( note bem- antiguidade não é o mesmo que coisas velhas) e quando soube que havia uma casa toda sendo ofertada , logo lembrou-se de mim.

Embora eu estivesse no momento sem dinheiro para coisas supérfluas, combinei com ela de darmos uma olhadinha, afinal, não custa nada olhar coisas bonitas.

Realmente eu nunca havia visto tanto luxo e bom gosto num só ambiente!  Eram 150 metros quadrados de puro glamour. A começar do piso de mármore negro, as paredes recobertas de obras de arte, lustres de cristal gigantes, móveis entalhados maravilhosos, um flat para nenhuma revista de decoração sofisticada botar defeito.

Tudo brilhava, tudo era divinamente caro , luxuoso  e de muito bom gosto, sem pecar num só detalhe. 

Eu só estranhei uma coisa: que toda essa beleza estivesse praticamente escondida, pois o flat estava montado no andar superior de um pequeno prédio de apartamentos simples, na verdade era mais uma pensão com muitos quartos, num bairro extremamente pobre.

Um luxo dentro de uma quase favela. Por que alguem faria isso?

Na verdade, a história é triste, como soube depois.  Aquele lindo apartamento pertencia a uma travesti chamada Jéssica.

Ela era famosa na região, muito bem de vida, como pude perceber.

Jéssica tinha cerca de 40 anos, assumida desde os 20, era proprietária deste prédio com cerca de 30 quartos, os quais eram alugados para outras travestis que trabalhavam na região do ABC.

No segundo piso ela construiu então a sua casa, cheia de brilho , com uma enorme banheira sob  deck de mármore importado, que aparentemente, nem chegara  ser inaugurada, era tudo novo em folha.

Jéssica morreu baleada no início deste mês, em seu próprio carro, com dois tiros no rosto. Ninguem sabe o porquê , pois segundo os amigos, Jéssica era muito querida por todos. Não roubaram nada, nem o carro, apenas a violência que tanto insiste em punir os homossexuais.

Puni-los  por serem diferentes, por serem corajosos, por terem dinheiro, por falarem muitas verdades.

A família , que sempre rejeitou  Jessica, agora já está de prontidão para avaliar e vender seus bens, disso eles não se envergonham.

Fiquei tão enojada com aquela hipocresia que acabei saindo de lá revoltada, com vontade de trancar aquela porta e não deixar que ninguem tocasse naquilo que era dela, ninguém tinha o direito de invadir sua fortaleza!

Quem sabe, talvez algum amor, alguém que tenha dividido com ela  os momentos felizes e os difíceis,pudesse merecer ficar com seus bens,  mas parece que na vida de uma travesti, nada existe, nada além de suas roupas chiques, seus perfumes, sapatos altos, colares de pérolas e o luxo de sua casa.

 Isso quando as Jéssicas da vida se dão bem, pois do contrário sobram apenas os lençois sujos do ultimo cliente.

Um tiro no rosto, uma facada no peito, uma emboscada, uma overdose, a morte é sempre certa.

E a impunidade também.

 

 

 

 

Escrito por Mel às 11:11:35

15/02/2011 - 12:09:57


Guatemala

 

 

Foi uma paixão arrebatadora que chegou assim como um tsunami, como um vendaval, ou qualquer outra coisa que seja grande.

 

Eles se conheceram pelo MSN ou algo parecido, isso não vem ao caso, ele é um universitário também, cerca de dois anos mais velho, fala inglês muito mal, mas o suficiente para se entenderem. Na verdade as palavras falam pouco nesses casos de paixonite aguda, os olhos dão conta do recado bem melhor.

Tudo começou em outubro do ano passado e nem dei muita atenção, pois sabia muito bem que essas paqueras de MSN em noventa por cento dos casos não dão em nada. Ainda mais pelo fato do Victor morar longe.

O fato é que meu filho estava realmente apaixonadíssimo por esse garoto. Disse que ninguém jamais havia lhe dado tanta atenção, carinho, amor, enfim, o Victor era realmente uma pessoa encantadora e especial.

Em poucos meses, em dezembro mais especificamente os dois já faziam planos de se ver e isso não era uma coisa muito fácil, pois o Victor era da Guatemala.

Sim, Guatemala. 

Eu, mãe boba que sou, já fui ficando aflita com essa idéia, são muitos quilômetros de distância, ele mora perto de vulcões, existem terremotos naquele país, ai meu Deus. Sem contar os gastos!

 

Uma coisa é você marcar um encontro para conhecer um rapaz num cinema da Av. Paulista- não! melhor escolher outro lugar, lá estão matando todos os gays- outra coisa bem diferente é você embarcar para a Guatemala para encontrar-se com um guri que mal você conhece do MSN.

Isso deu pano pra manga, de um lado meu filho entendia a razão das coisas, mas o coração pedia outra solução.

O final do ano é sempre muito complicado, vieram as provas e ele passava a noite toda estudando para compensar as horas infindáveis de namoro pelo telefone/skipe/webcam/e-mails/twiter/facebook/telégrafo/código Morse/pombo-correio/etc.

O resultado foi que meu filho ficou com alguns quilos perdidos e para ele que já é muito magro, isso significa ficar parecendo uma caveira ambulante. Mas o amor alimenta tudo, é lindo!

 

Ele me mostrava fotos do rapaz, -meu futuro genro- e ficava babando sobre elas. Eu, na verdade, nem achei o menino tão bonito, mas isso não importa.

O mais engraçado é que estes fatos são típicos de adolescentes e ele mesmo dizia que se sentia assim, perdidamente apaixonado por alguém atrás da telinha, como um garoto de 14 anos.

 

A coisa começou a me preocupar quando descobri que até ficar sem comer na faculdade ele estava, com o intuito de economizar dinheiro para a viagem, pode?

Além disso, ele estava sofrendo visivelmente com a distancia, sabendo que era um romance impossível.

 

E agora, o que fazer? Ele até tentou terminar tudo, mas o Victor não entendia, não admitia e isso tornava as coisas mais difíceis ainda.

Até que um dia agora de janeiro tiveram uma discussão feia, pra variar acho que foi a respeito de fidelidade ou ciúmes, coisas complicadas de se administrar quando os envolvidos moram a milhares de quilômetros de distância um do outro.

 

Parece que foi a gota d’água. Incrível como as paixões se derretem tão rápido! O que era sonho virou pesadelo e o Victor é pagina virada.

 

 

Adiós, Guatemala.

 

 

Escrito por Mel às 12:09:57

12/01/2011 - 18:08:37


Okê Oxossi

 

 

 

No dia 20 de janeiro comemora-se o dia de Oxossi na Umbanda e no Candomblé.

 

Oxossi é um Deus caçador, senhor da floresta e de todos os seres que nela habitam, orixá da fartura e da riqueza. Atualmente, o culto a Oxossi está praticamente esquecido na África, mas é bastante difundido no Brasil, em Cuba e em outras partes da América onde a cultura ioruba prevaleceu. Isso deve-se ao fato de a cidade de Kêtu, da qual era rei, ter sido destruída quase por completo em meados do século XVIII, e seus habitantes, muitos consagrados a Oxossi, terem sido vendidos como escravos no Brasil e nas Antilhas. Isso possibilitou que o culto não só a Oxossi, mas também a outros importantes Orixás continuasse entre nós, através do Candomblé.

Todos conhecem o sincretismo com o Santo da igreja Católica, São Sebastião padroeiro de várias cidades, inclusive do Rio de Janeiro.

Existem inúmeras lendas relacionadas ao mártir São Sebastião, mas não vou citá-las aqui, pois quem é adepto já deve conhecê-las de sobra. Nascido na França no século III viveu desde bem pequeno em Milão- Itália, São Sebastião é famoso também por ser um forte protetor dos homossexuais.

Se é verdade ou não, eu não posso afirmar, mas em todo caso vamos acender vela pro Santo e pedir proteção, afinal isso nunca é demais, não é mesmo?

As características de um filho de Oxossi são: pessoas calmas, que podem manter a mesma expressão quando alegres ou aborrecidas, do tipo que não exterioriza as suas emoções, mas não são, de forma alguma, pessoas insensíveis, só preferem guardar os sentimentos para si.

São pessoas que podem parecer arrogantes e prepotentes, e às vezes são. Na realidade, os filhos de Oxossi são desconfiados, cautelosos, inteligentes e atentos, selecionam muito bem as amizades, pois possuem grande dificuldade em confiar nas pessoas. Apesar de não confiarem, são pessoas altamente confiáveis, das quais não se teme deslealdade; são incapazes de trair até um inimigo. Magoam-se com pequenas coisas e quando terminam uma amizade é para sempre.

São do tipo que ouve conselhos com atenção, respeita a opinião de todos, mas sempre faz o que quer. Com estratégia, acabam por fazer prevalecer a sua opinião e agradando a todos.

Altos e magros, os filhos de Oxossi possuem facilidade para se mover, mesmo entre obstáculos. O seu andar possui leveza e elegância. A sua presença é sempre notada, mesmo que não façam nada para isso acontecer.

Os filhos de Oxossi gostam de solidão, isolam-se, ficam à espreita, observam atentamente tudo que se passa à sua volta. Curiosos, percebem as coisas com rapidez, são introvertidos e discretos, vaidosos, distraídos e prestativos, comportamento típico de um caçador, provedor do seu povo.

 

 No próximo domingo teremos festa para os Caboclos de Oxossi e eu, sou a pessoa incumbida na casa para fazer a comida de santo. Um dos motivos é porque que sou filha de Yansã ou Oyá no Candomblé, e isso é para mim motivo de muito orgulho!

 

Mal posso esperar!

Escrito por Mel às 18:08:37

08/12/2010 - 16:27:33


Quem é Mel?

No último texto eu comentava sobre a personagem Bruna da novela Ti Ti Ti, que é mãe de um homossexual, e que eu estava indignada com sua postura preconceituosa, passando para a população esse sentimento tão ruim.

Logicamente a trama está se desenvolvendo e tudo acabará bem, como disseram alguns amigos leitores que deixaram seus comentários.

Pois bem. Coincidentemente eu recebi vários e-mails onde as pessoas me questionam sobre quem é, afinal, a MEL. O que está fazendo aqui num site direcionado ao público gay?

Como eu escrevo aqui no Mix há cerca de cinco anos, muitos perderam a oportunidade de ler os primeiros posts, na época dos blogs no Uol em outro formato, que saíram do ar já há bastante tempo.

Naquela ocasião eu contei toda a trajetória: desde a descoberta, a adaptação, conhecimento e finalmente, meu apoio ao MEU FILHO, homossexual.  A Mel é apenas mãe de um homossexual, e acho que cabe contar aqui de novo um pouco dessa história, já que a maioria dos leitores de hoje, não a conhecem.

 

Meu filho tinha treze anos apenas, quando numa tarde de sexta-feira (me lembro que era sexta-feira santa, dois dias antes do domingo de páscoa) me contou um grande segredo que estava lhe deixando aflito.

Eu estava tomando banho e ele aproveitou esse momento talvez para não ter que enfrentar uma conversa muito formal, frente a frente, olhos nos olhos.

Ele não conseguia falar o que era, mas dizia que tinha que me contar uma coisa, tinha que ser naquele dia, pois senão eu poderia saber pela boca de outras pessoas que poderiam distorcer a verdade.

 Estava realmente sofrendo, sem que eu pudesse entender.

 

O assunto era delicado, o mais importante da sua vida, dizia ele, mas eu achava que só poderia ser alguma coisa corriqueira da escola, alguma nota baixa no boletim que eu teria que assinar.

Mas ele não tirava notas baixas, pelo contrário, sempre foi o primeiro aluno da sala! Insisti para que ele falasse logo, afinal nós tínhamos um bom diálogo, não precisava fazer tanto rodeio.

Literalmente ele não conseguia falar, andava de um lado para o outro que nem um leão, e quanto mais os minutos se passavam, mais aflito ele ficava.

Eu brinquei tentando adivinhar o que ele iria me dizer, perguntei se ele estava usando drogas, rindo, pois eu sabia que ele não tinha a menor propensão para isso.

Não, é claro que ele não estava usando nada, nem fumar, nem beber, tudo isso ele odiava.

 

Como disse no início, era época da páscoa, e foi no verso de um cartão em formato de coelho que eu tinha acabado de ganhar do outro filho-o mais novo- que ele resolveu escrever, já que não conseguia pronunciar aquelas palavras para mim: “EU SOU HOMOSSEXUAL”

Nos instantes seguintes, eu não senti mais o chão, minha cabeça rodava e a única coisa que eu conseguia afirmar para mim mesma era que ele estava enganado, ele era apenas uma criança, como poderia saber claramente sobre sua sexualidade? Sim, ele estava enganado sobre tudo isso e assustado à toa, eu o ajudaria a esclarecer a verdade! 

Como vêem, o primeiro impacto que tive, foi o de não aceitar aquela realidade.

O preconceito é implacável e tudo que eu pudesse pensar sobre gays, era negativo, pejorativo, absurdo.

Mas em nenhum momento eu tive raiva do meu filho ou o culpei por qualquer coisa. Respirei fundo para tomar forças, e o abracei dizendo que estaria do lado dele em todos os momentos, disse que eu o amava muito e que se fosse verdade o que ele acabara de me contar, não mudaria em nada meu sentimento, apenas eu precisava de um tempo para assimilar aquilo.

Eu não sabia lidar com esse problema, não sabia o que falar.

Confesso que não é fácil assumir ser mãe de um gay, pois fomos educados em outra geração onde homossexuais eram somente caricaturas afeminadas, ridicularizadas, motivo de piada e vergonha para a sociedade.

Eu fechava os olhos e imaginava meu filho usando meia arrastão, vestido de cetim rosa choque e batom nos lábios.

Outro fato que me entristecia (é bom para vocês saberem o que se passa na cabeça das suas mães) era o fato de saber que ele não iria se casar, não da maneira convencional ficando no altar para receber uma noiva linda entrando pela igreja.

Conseqüentemente eu não iria ter netinhos, filhos dele. Fantasias que a gente cria desde criança, cenas formadas na nossa cabeça apenas esperando o dia de se realizarem, e agora, não se realizariam mais.

Me preocupei demais com os dramas que ele enfrentaria na vida, com as piadas de mau gosto que ele ouviria, com os empregos negados, com as doenças, afinal, eu pensava que todo homossexual teria infalivelmente AIDS. Sim, eu pensava que todo gay era promíscuo e não se cuidava, e acima de tudo eu não sabia nada sobre como adquiria-se a doença. Era mal informada, assustada e cheia de conceitos errados.

Porém, o estereótipo de homossexual que eu tinha na minha cabeça não combinava em nada com o que eu via em meu filho.

É bom esclarecer também que, se passamos a sensação de decepção (eu já vi muitos jovens dizendo que não contam para os pais porque não querem decepcioná-los) não é exatamente a decepção pelos filhos.  É como se estivéssemos numa estrada , caminhando e fazendo planos de chegar a algum destino, de repente, percebemos que estamos em estrada errada e temos que alterar toda a rota. Isso nos deixa atordoados, sem saber como andar nesse novo trajeto, inseguros, querendo achar justificativas e isso acarreta decepção.

Não fiquei decepcionada com meu filho, fiquei surpresa, fiquei com medo de lidar com algo que eu nunca imaginei, fiquei insegura, mas nunca mudou um milímetro o que eu sentia por ele.

Não posso contar cada detalhe das passagens que tivemos porque eu levaria dias aqui, e vocês achariam esse texto cansativo – ainda mais.

Resumindo, eu fiz muita burrada no início, levei-o até ao médico, achando que isso era doença, mas depois eu vi que ele era exatamente igual a qualquer outro garoto da sua idade,que a doente ali era só eu e apenas o que o diferenciava dos outros  era o que ele trazia em seu intimo- o desejo sexual por alguém do mesmo sexo.

O seu íntimo, não é da conta de ninguém, pois ninguém sai com uma plaquinha na mão dizendo com quem transa ou como transa se dá de frente ou de costas, se gosta disso ou daquilo.

Resolvi me informar sobre o assunto, li alguns livros, visitei muitos sites (sim eu fiz questão de saber tudo com detalhes), fiz amizade com muitos homossexuais e percebi que são pessoas especialmente brilhantes. Posso ter tido sorte, pois todos se tornaram verdadeiros amigos, sinceros, prontos a ajudar no que eu precisasse.

Não houve jeito, eu me apaixonei pelo mundo homossexual, mais do que vocês imaginam!

Eu rompi as barreiras, mudei os pré-conceitos e me propus a ajudar no que eu puder, nas causas gays. Tive a oportunidade de escrever para o Mix, por indicação do meu amigo e visinho de blog, o Tiago, e desde então tento compartilhar a minha experiência, conversando e orientando jovens adolescentes e pais que passam pelo mesmo problema.

Não sou formada em psicologia, não sou doutora em nada, apenas me disponho a ajudar, ou pelo menos a ouvir quem precise. Carinho e atenção, é tudo o que uma pessoa necessita quando está desesperada, sob qualquer situação.

Daquela sexta-feira, já se passaram mais de sete anos, meu filho cresceu, já tem quase 21, barba no rosto, lindo, inteligentíssimo, culto, dedicado, educado, fala quatro idiomas e já está indo no próximo ano, para o quarto ano de medicina.

Eu só posso dizer que sinto muito orgulho dele, e gostaria que todas as mães se permitissem conhecer um pouco mais os seus filhos homossexuais, para verem que nada está errado, além talvez, da sua falta de informação.

 

 

 

 

 

 

Escrito por Mel às 16:27:33

05/11/2010 - 14:36:05


Que mãe é essa?

Ontem na novela Ti Ti Ti, aconteceu a revelação para a mãe de Osmar que ele era gay.

 

Osmar faleceu em um acidente de carro logo nos primeiros capítulos da novela, deixando seu namorado Julinho inconsolável, que passou a morar na casa com a família de Osmar junto com Marcela, depois de uma história mirabolante de que ela estaria grávida de Osmar.

 

Para quem acompanhou do início, o capítulo quando Osmar revelou sua homossexualidade ao pai, foi bastante tenso, cheio de repulsa por parte dele, o que fez tocar o coração de muita gente que já passou pelo mesmo problema.

Falar com os pais é uma missão bastante difícil, se não for a mais difícil de todas, na vida do jovem homossexual.

 

Olhando pelo lado inverso, o dos pais que recebem a notícia de supetão, posso dizer que também não é nada fácil a situação. É uma surpresa muito grande, um choque, mas nada que não possa ser entendido e respeitado.

 

Porém, a encenação de ontem da personagem Bruna, mãe de Osmar, me deixou pasma.

Ao contrário do que acontece na realidade para a maioria dos jovens, esta mãe recebeu a notícia com muito mais rancor e incompreensão do que o pai. O Olhar dela era de ódio puro!

 

Mesmo o filho estando morto ela não conseguiu relevar ou perdoar, quanto mais entender a sua condição de homossexual.

Como pode uma mãe transformar um sentimento tão forte como o amor, depois de tanto sofrimento com a perda de um filho, que acredito ser a maior de todas as dores que possa existir no mundo!  Como pode um preconceito ser maior do que isso? 

 

Sim, eu entendo que existem inúmeras mães e pais que não aceitam a condição de seus filhos homossexuais, pelos preconceitos, por ignorância, por verem seus planos familiares mutilados, por milhões de motivos que possam argumentar, mas NADA pode alterar o AMOR que existe entre eles.

O que eu não entendo é uma mãe dizer que a partir do momento que seu filho/a lhe dizer que é gay ela não o ama mais, ele/a  passa  a ser motivo de vergonha.

Se alguém ama somente sob certas condições, então isso não é amor.

 

Se essa mãe consegue sentir ódio de um filho que já morreu por que ele era homossexual, ou ela é louca ou mentirosa. Eu espero que nos próximos capítulos o autor consiga definir bem isso, pois de outra forma, ficou apenas uma cena hiper homofóbica, apoiando/incentivando a atitude de outras mães que agem de maneira semelhante.

 

Sinceramente, me chocou, deu nojo, tristeza de ver Bruna transbordando rancor, ferindo os sentimentos de outros, enquanto poderia muito bem ter sido um exemplo, acolhendo o Julinho como um filho, no lugar do seu que se foi.

Escrito por Mel às 14:36:05

20/10/2010 - 14:37:06


Mulheres, mulheres

Que o outro saiba quando estou com medo, e me tome nos braços sem fazer perguntas demais.

Que o outro note quando preciso de silêncio e não vá embora batendo a porta, mas entenda que não o amarei menos porque estou quieta.

Que o outro aceite que me preocupo com ele e não se irrite com minha solicitude, e se ela for excessiva saiba me dizer isso com delicadeza ou bom humor.

Que o outro perceba minha fragilidade e não ria de mim, nem se aproveite disso. Que se eu faço uma bobagem o outro goste um pouco mais de mim, porque também preciso poder fazer tolices tantas vezes.

Que se estou apenas cansada o outro não pense logo que estou nervosa, ou doente, ou agressiva, nem diga que reclamo demais.

Que o outro sinta quanto me dói a idéia da perda, e ouse ficar comigo um pouco — em lugar de voltar logo à sua vida, não porque lá está a sua verdade mas talvez seu medo ou sua culpa.

Que se começo a chorar sem motivo depois de um dia daqueles, o outro não desconfie logo que é culpa dele, ou que não o amo mais.

Que se estou numa fase ruim o outro seja meu cúmplice, mas sem fazer alarde nem dizendo “Olha que estou tendo muita paciência com você!”

Que se me entusiasmo por alguma coisa o outro não a diminua, nem me chame de ingênua, nem queira fechar essa porta necessária que se abre para mim, por mais tola que lhe pareça.

Que quando sem querer eu digo uma coisa bem inadequada diante de mais pessoas, o outro não me exponha nem me ridicularize.

Que quando levanto de madrugada e ando pela casa, o outro não venha logo atrás de mim reclamando: “Mas que chateação essa sua mania, volta pra cama!”

Que se eu peço um segundo drinque no restaurante o outro não comente logo: “Pôxa, mais um?” Que se eu eventualmente perco a paciência, perco a graça e perco a compostura, o outro ainda assim me ache linda e me admire.

Que o outro — filho, amigo, amante, marido — não me considere sempre disponível, sempre necessariamente compreensiva, mas me aceite quando não estou podendo ser nada disso.

Que, finalmente, o outro entenda que mesmo se às vezes me esforço, não sou, nem devo ser, a mulher-maravilha, mas apenas uma pessoa: vulnerável e forte, incapaz e gloriosa, assustada e audaciosa — uma mulher.

 

 

“Canção da Mulher” Lya Luft

Escrito por Mel às 14:37:06

27/09/2010 - 15:35:10


Vim para me confessar.

 

Ei, acorde!

 

 

Se ajeite na cadeira, fique à vontade pois é importante o que eu vou lhe dizer:

 

 

Eu vim porque preciso que você me escute. Vim para me confessar. Preparado?

 

Não pense que não reparei nesse enorme peso que você carrega sobre seus ombros. Como se fosse um imenso saco de desejos conflitantes, um fardo de obstáculos que a vida lhe impôs. Ele sempre esteve aí. E o meu primeiro pecado foi não tirar esse peso de você.

Não me queira mal por ter deixado isso acontecer. Se agi assim foi porque acreditei que ele estava aí pro seu bem. Que só carregando esse peso você ficaria forte. Foi porque acredito que não importa quantos pesos outras pessoas tirem de você, sempre surgirão novos fardos ainda maiores. Que só quando tiver força para suportá-los, perceberá que é a única pessoa que pode lidar com eles. Esse dia chegará, e então talvez me perdoe.

 

Esse perdão não significa tanto, pois essa negligência não foi meu único pecado.

Eu tenho muitos, entre eles está também a minha arrogância de pensar que seria a pessoa mais importante da sua vida, que seria insubstituível e tudo o que eu lhe dissesse serviria como verdade absoluta.

Ainda no quesito arrogância, pensei que o querer bem me daria o direito de escolher entre o bem e o mal para você, para lhe proteger ou poupar do mais ínfimo perigo, como se eu pudesse transformar o seu mundo num local tão seguro quanto meu útero. E pensar que quando você estava lá dentro eu não via a hora de que você estivesse aqui fora!

 

Outro pecado foi duvidar da sua inteligência. Sim, eu duvidei que você pudesse ser tão inteligente a ponto de perceber que minha vida é uma ilusão.

 

Um dos maiores pecados foi a negligência. Mas dessa vez comigo mesmo.

De tanto querer o bem do outro deixei de querer meu próprio bem. Nem percebi que, agindo assim, eu não conseguia mais ser como você queria que eu fosse. Parece complicado, contraditório... De tanto querer ajudar, tornei-me incapaz de fazê-lo. Deve ser por isso que, durante as instruções de segurança dos vôos, as aeromoças avisam que se a pessoa ao seu lado precisar de ajuda para colocar a máscara de oxigênio, primeiro você deve colocar a sua para só depois ajudá-la.

Só existe uma chance de que você entenda isso: espero que um dia você tenha a felicidade de ter um filho e perceba que seu próprio bem estar não importará tanto, porque agora existe alguém que precisa mais de você do que você mesmo. Nesse dia você entenderá... Talvez.

 

Eu podia ficar aqui desfilando meus pecados. A autocomiseração, a presunção, a teimosia... Sim, eles são muitos e não quero te entediar. Vou parar porque percebi que não busco remissão. Aliás, nem mesmo sei o que busco, já que tudo que acreditei estava errado.

 

Sei que tenho um pecado maior para o qual não existe perdão.

 

Eu sempre acreditei que a minha vida era um sonho, o qual eu poderia convidar quem eu quisesse para participar. Só não percebi, ou não admiti, que alguém poderia não querer fazer parte dele. Agora, é tarde para acordar. Tenho que continuar a sonhar mesmo fingindo que é real e continuar condenando os outros a viverem meu sonho.

 

Acorde.

 

Acorde você, porque para mim, não há mais saída.

 

 

 

 

 

 

Escrito por Mel às 15:35:10

26/08/2010 - 16:20:58


TPM Feelings

Os leitores que me desculpem se notarem um ar ríspido em minhas palavras, não é nada pessoal, tenham certeza!


É muito cômodo para alguns seres do sexo masculino criticarem a nossa TPM dizendo que é frescura, mas o que poderíamos esperar ? Eu queria que alguns deles durante um ano ficassem menstruados, queria muito poder rir deles em meio a crise de TPM, padecendo com aquelas cólicas absurdas que te fazem vomitar de tanta dor, queria rir deles sangrando por cinco dias sem parar.

Ah, como eu queria!

A TPM te leva do inferno ao inferno, tipo, do norte ao sul do próprio inferno. Depois te joga contra a parede e fica rindo da sua cara.

Ontem até as 18h eu era mais melancólica que esposa de caminhoneiro com saudade, após as 18h fui possuída por uma mistura de Stalin + Cruela Cruel + Gargamel + Mun-ha + Odete Roitman + Bruxa Má + Lobo Mau + Arthas + Dick Vigarista + Smeagol + Satan Goss + Magneto + Sauron + Lex Luthor.

A única semelhança nos meus dois únicos sentimentos é a vontade avassaladora de comer chocolate até chegar ao  ponto de explodir . Aí, você se lembra que não pode comer chocolate como se fosse uma gorda em depressão amorosa, porque você vive de dieta e se comer  um naco de chocolate vai se arrepender e chorar por umas três horas,  seus olhos ficarão inchados e a dor de cabeça te deixará mais maluca do que já é.

 O mais próximo que você se aproxima do açúcar que tanto clama seu corpo é uma droga de uma salada de pepino com tomates que, por motivos obscuros, está mais doce que uma banana flambada. Você se irrita, você quer matar o filha da puta que adocicou os pepinos, não importa quem ele seja. Eu seria capaz de ir na plantação de pepinos pisar neles.

E tudo te irrita, tudo é capaz de te tirar o 0,01% de paciência que ainda te sobra e mesmo no trabalho quando você entra com aquela cara de exterminador do futuro exalando welcome to the jungle, qualquer mínima complicação ou cliente pedindo uma  informação  te dá vontade de mandar o infeliz  para ... ( meu deus aqui eu não posso escrever tudo o que vem na minha cabeça)  .... para Júpiter.

Imaginem então aqueles telefonemas tentando te vender planos de saúde!

Se alguém discordar ou pior, te agredir de alguma maneira, que saia de perto bem rapidinho ou que faça um bom seguro de vida. Te juro, eu sou capaz de arrancar os olhos de alguém com os dedos. Uma vez apertei um copo nas minhas mãos até que o espatifei em mil pedaços. Não, nessas ocasiões eu não sinto dor.


Dieta, TPM e frio como estava esses dias = Combinação explosiva.  Nem as pessoas que eram pra me deixar feliz de alguma forma eu ando aguentando, até os quietos estão sendo objetos de ódio.

E eu sei que é TPM, não preciso que nenhum filho da puta me diga isso, preciso que me respeite apenas, EU NÃO CONTROLO A PORRA DA TPM e fico brava quando acham que sou culpada disso. Não fui eu que inventei essa coisa. Que reclamem com o autor dela.

E sei que até o final do dia, talvez depois do banho que eu tomar na volta da academia, é bem capaz que essa raiva que me consome, seja transformada na maior das melancolias novamente e vou chorar só de receber um "oi" mais carinhoso.  Se você me der um beijo, talvez seja motivo de lágrimas copiosas pela noite toda.

E no dia seguinte, se tudo correr bem, pode ser que amanheça finalmente aquela que vocês conhecem: a mais doce, terna , companheira, paciente e bem humorada mulher, sorrindo como se nada tivesse acontecido.

Nesse caso, a TPM foi exorcizada, mas por tempo determinado!

 

Será que no próximo mês eu devo tomar algo do tipo “Gardenal”?


 

Escrito por Mel às 16:20:58

06/08/2010 - 20:19:29


Shiva nos proteja!

 

 

Não se sabe ao certo quando as pessoas começaram a se engraçar por esculturas e achar bonito ter obras de arte espalhadas pelos ambientes domésticos.

Se por um lado isso denota um comportamento cultural saudável e positivo, por outro lado abre espaço para mais uma bizarrice da sociedade  atual, que é a ornamentação ostensiva de jardins. Anões, animais, personagens da Disney, garças, caramujos, e uma infinidade de outros seres andam povoando os quintais. Tem gente que acha lindo. Uma espécie de exército espalhado entre a varanda e o portão da casa.

Tudo começou com os anões de  jardim. Alguém em algum momento da história com o espírito bem fofo colocou na cabeça que anões, gnomos, ou o que quer que o valha, gostavam dos jardins e viviam por lá alegremente. Foi o suficiente para que outras pessoas com o mesmo grau de fofura começassem a espalhar anões pelos pátios das casas, sítios e quintais dos cinco continentes.

Mas anão de jardim se reproduz mais que hare krishna em semáforo e logo os anões foram se diversificando, sendo seguidos, um a um, todos os sete, pela Branca de Neve da história. No traço de Walt Disney, é claro. Porque não é qualquer Branca de Neve, nem qualquer anão. Esgotadas as possibilidades “ananísticas”, começaram a aparecer os animais. Primeiro os silvestres: garças, caramujos, sapos de todos os tipos decorando os canteiros.Incluindo aqui as mais diversas variações que a imaginação humana pode produzir: sapo de chapéu, sapo de vestido de bolinha, sapo pescando, sapo beijando a sapa, e por aí vai. Depois os domesticados: cães, ovelhas, bois e cavalos. Ninguém me pergunte o que um boi de concreto faz num jardim!

Num desbunde escultural, chegaram a colocar em jardins réplicas do Cristo Redentor e da Pietá, anteriormente uma presença garantida em túmulos, já apelando para o lado religioso da coisa. E esses dias, pasmem, passando por uma rua da Penha, estava lá, num belo jardim, o deus Ganesha. Sim, o deus elefante do hinduísmo, dançando todo faceiro, em uma clara demonstração da influência que a novela das oito tem sobre a vida das pessoas.

Não é nada contra os hindus, muito pelo contrário, mas vai lá ver quantos deuses existem na mitologia hinduísta! São milhares. Já pensou se decidem começar a vender imagens da deusa Kali, Vinshu e Shiva? Olha, tem mais deuses na Índia do que Pokémon no Japão. Vai faltar canteirinho, gente! Que Shiva nos proteja das estátuas de jardim.

 

 

Escrito por Mel às 20:19:29

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